Sexta-feira, Abril 08, 2011

Ausencias

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinicius de Moraes

4 comentários:

Mar... disse...

Saudades enormes de ti...
Tenha um deliciosp findi...e apareça...
Bjs querido...Mar...

Desnuda disse...

Amigo,

Lindo demais! Obrigada.

Bom domingo e ótima semana, João. Beijos com carinho.

Dois Rios disse...

Vinícius é ímpar. Primeiro ele faz com que a gente se apaixone pela paixão, depois então, a gente pensa numa pessoa que mereça toda essa paixão.

Beijo, João!
Inês

Nany C. disse...

A reciprocidade faz parte da nossa amizade!

Te adoro, viu?!
Beijos meus no teu coração, João!
Logo volto a voar mais!(...rsrsr)